» DICAS DE CULTIVO DE ORQUÍDEAS – 10

EFEITOS DA DESIDRATAÇÃO NAS ORQUÍDEAS

 

orquidea-os-efeitos-da-desidratacaoDESIDRATAÇÃO

 

É o efeito produzido sobre a planta, em decorrência da falta de água para manter a integridade de suas funções metabólicas. Em se tratando de orquídeas, os efeitos podem se manifestar de diferentes formas, como veremos em seguida.

 
 
 

ORQUÍDEAS DE FOLHAS FINAS E SEM CAULES (PSEUDOBULBOS) ADAPTADOS PARA RESERVA DE ÁGUA

 

Nesse grupo se encaixam principalmente as orquídeas de pequeno porte, conhecidas como micro-orquídeas. São plantas epífitas que normalmente habitam o interior das matas, em ambiente bastante sombreado, úmido e temperaturas médias entre 7 a 18°C. Como exemplos de orquídeas desse grupo podemos citar algumas espécies dos Gêneros Pleurothallis, Specklinia, Stelis, Barbosella (Barbrodria), Dracula e Masdevallia, dentre dezenas de outras.

 

Essas espécies não estão adaptadas para “reservar” água para enfrentar as “secas”, mesmo que por períodos curtos (2 a 4 semanas). Dependendo do tempo de indisponibilidade de água (fornecida pela umidade de seu ambiente, normalmente na forma de cerrações/neblinas) já nos primeiros dias inicia-se a desidratação e queda das folhas.

 

No ambiente doméstico essas espécies devem ser cultivadas levando-se em conta as condições necessárias em seu ambiente natural, e o suprimento de água deve ser feito através de pulverizações várias vezes ao dia, pela manhã e à noite, umedecendo tanto as folhas como as raízes. Nas regiões de inverno intenso as regas noturnas devem ser substituídas pelas regas à tarde, pois existe o risco de congelamento da água sobre as folhas, produzindo lesões de queimadura. A rápida percepção dos sinais de desidratação nas plantas cultivadas em ambiente doméstico aumenta a chance de recuperação das mesmas, lembrando que existe a possibilidade de que, com os devidos cuidados, surjam novas folhas com o tempo. Deve-se ter em mente, ainda, que as folhas já afetadas pela desidratação apresentando, como por exemplo, o aspecto retorcido e alteração da cor, não serão passíveis de recuperação e assim permanecerão até a completa queda. A utilização de substrato adequado poderá, com sua maior capacidade de retenção de água, retardar o início do processo de desidratação da planta.

 

ORQUÍDEAS DE FOLHAS ESPESSAS E SEM CAULES (PSEUDOBULBOS) ADAPTADOS PARA A RESERVA DE ÁGUA

 

Neste grupo se juntam principalmente as espécies de micro-orquídeas com o caule fino, mas cujas folhas se especializaram na reserva de água por algum tempo. Essa adaptação foliar permite, em seu habitat, a reserva de água para atravessar os períodos de seca. São exemplos dessa adaptação Pleurothallis sonderana, Pleurothallis leptotiforme, Pleurothallis aveniforme, Pleurothallis recurva e boa parte das espécies do gênero Octomeria, só para citar algumas espécies mais conhecidas. Esse grupo de orquídeas suporta bem alguns períodos de estiagem, mas em casos de mais intensa desidratação pode ocorrer a quedas das folhas.

 

ORQUÍDEAS DE FOLHAS FINAS COM CAULES (PSEUDOBULBOS) ADAPTADOS PARA A RESERVA DE ÁGUA

 

A este grupo pertencem a maioria das espécies dos gêneros Oncidium, Brassia, Coelogyne, Bifrenaria, Cymbidium e dezenas de outros. Nestas, os caules (pseudobulbos) são bem desenvolvidos, servindo para armazenar água e nutrientes para enfrentar os períodos de estiagem. Em ambiente de cultivo doméstico a desidratação se manifesta primeiramente pelo enrugamento desses caules. A persistência dessa situação de estresse hídrico em que ao cabo de algumas semanas os caules ficam enrugados, as folhas mais antigas começam a perder a cor para em seguida sofrerem queda, até que, nas situações mais graves, ocorra a perda total das folhas e os pseudobulbos principiam a secar, sucessivamente, a partir dos mais antigos.

 

ORQUÍDEAS DE FOLHAS SUCULENTAS COM CAULES (PSEUDOBULBOS) ADAPTADOS PARA A RESERVA DE ÁGUA

 

São as mais resistentes ao processo de desidratação em ambiente de cultivo doméstico, mas ainda assim, dependendo da intensidade desse estresse, os efeitos seguem a seguinte ordem: início do enrugamento dos caules, desidratação das folhas seguidas de deformação (que ficam retorcidas), queda das folhas dos caules mais antigos, intensificação do enrugamento dos caules que vão se tornando mais lenhosos e quebradiços, perda total do sistema radicular e, finalmente, o secamento e morte dos caules, sucessivamente a partir dos mais velhos.